23 de dezembro de 2011

Confissões de um pastor acerca do seu ano de 2011

Queridos, estou replicando aqui um texto que revela o amor e a graça de Deus sobre nossas vidas.

Confissões de um pastor acerca do seu ano de 2011

Esse ano foi muito especial pra mim. E isso nada tem a ver com conquistas ou realização de projetos. Também nada tem a ver com alguma notoriedade que o meu nome tenha ganho em algum lugar. O ano foi especial por acontecimentos muito pontuais e particulares. Que passo confessar.
Eu confesso que acreditava ter a agenda da minha vida em minhas mãos. Eu sempre acreditei, até esse ano, que bastava eu desejar algo e trabalhar com afinco, que eu alcançaria. Eu até afirmava que Deus é soberano, mas foi esse ano que me rendi a essa verdade.
Depois de quinze anos servindo integralmente no ministério e de sonhar e investir em muitos desses sonhos, verifiquei que uma boa idéia não se concretiza apenas tendo como base minha vontade. Há, de verdade, uma mão invisível empurrando ou segurando nossos projetos. Deus, e só ele, é quem motiva, desmotiva, abre portas, fecha portas, coloca pessoas inspiradoras para estar ao nosso lado, coloca indivíduos desmotivadores também para andar conosco. Sem a sua vontade a nossa é estéril.
Eu confesso que nunca li a Bíblia como uma carta de amor de Deus para o homem. Durante muitos anos eu cri que a palavra de Deus nos foi dada para guiar-nos a um viver ético-espiritual. Sempre preguei sermões chamando o homem a comprometer-se com um viver que agrada a Deus. Eu não descreio que a apalavra de Deus fale sobre essas coisas, contudo estava dando pouca ênfase ao fato da Escritura ser uma carta de amor da parte de Deus ao homem.
Não leio a Bíblia todos os dias, mas penso nela em todo tempo. Enxergo Cristo muito mais hoje em todas as partes das escrituras do que antes. Sempre que me deparo com alguma promessa de Deus eu ouço o evangelho e me sinto impelido a crer.
Amo ouvir Deus declarando seu feroz desejo de me amar com amor eterno. Não sou mais um leitor sistemático das escrituras sagradas em busca de sistematização doutrinária. Agora me tornei um filho que sente o calor dos braços do pai sobre o seu corpo todas as vezes que ouve a voz dele enquanto lê a palavra.
E confesso que assumi minha arrogância esse ano. Eu sempre soube que era, mas esse ano eu pude reconhecer que a minha arrogância tinha alcançado níveis altíssimos.
Você deve estar desejoso de saber qual o medidor de arrogância eu usei? O mais assertivo de todos, meu tempo de conversa e comunhão com Deus. Pode chamar de oração se quiser. Eu nunca deixei de orar em minha vida cristã, mas já deixei de conversar e entregar-me confiadamente sem reservas a Deus em todo tempo.
Descobri que a arrogância só cresce e frutifica onde existe ausência de encontro e comunhão com Deus. Se não passamos tempo em comunhão com ele, ficamos encantados com nós mesmos. Nossa confiança é transferida para nossa determinação e retirada das promessas do pai. Ninguém é arrogante sem querer. Nascemos arrogantes e somos zelosos em cuidar desse jardim com as nossas próprias mãos.
Eu confesso que as coisas tinham um valor distorcido para mim. Nasci num tempo em que conquistas tendem a valorizar-nos diante dos outros. Por ter alcançado algumas, sentia-me valorizado por colegas e familiares. No entanto, à medida que o Espírito me guiava a toda verdade, passei não me encantar tanto com minhas conquistas, mas em encantar-me com aquele que me conquistou. Reconheci, como nunca antes, que o meu valor é produto exclusivo do amor de Deus por mim e não das minhas vitórias sobre determinados desafios que consigo superar em diferentes áreas da minha vida emocional, material e espiritual.
Eu confesso que o meu cristianismo estava sem Cristo. Sou grato a dois escritores que li esse ano: Michael Horton e Brennam Maning.
O livro Cristianismo sem Cristo do professor Horton foi decisivo para que os meus sermões passassem a conter sobejamento de promessas e escassez de exigências bernardianas (1). Parei de enfocar Cristo como um modelo de líder eficaz ou treinador de vida que exige desempenho de seus liderados e o apresentei como o salvador glorioso e amoroso de pecadores desesperados e arrogantes. Foi revolucionário em minha vida e ministério a leitura dessa obra.
Já o mestre Brennam me apresentou um Deus profundamente comprometido com ele mesmo em me amar. Um ser pleno que me deseja ao ponto de deixar a sua glória e morrer numa cruz. Seus textos me ajudaram a discernir que ser discípulo de Cristo é ser alguém que vive profundamente identificado com a mensagem da cruz. Ele deixou claro para o meu coração que minha maior luta sempre será em relação a crer que Deus me ama. Dele ouvi uma das mais lindas frases desde que sou cristão: Jesus nos ama como somos e não como deveríamos ser, já que nenhum de nós é como deveria ser.
Foi um ano em que chorei muito sozinho. Só Deus e eu sabemos como o nascimento dessas verdades e outras doeram no instante em que nasciam em minha alma. Não existe cesariana para esse tipo de parto.
Amo o meu Deus acima de todas as coisas. Não consigo deixar de ser cristão. Na verdade, não posso deixar de ser o que nunca quis ser. É por causa dele e para ele que sou quem sou. A ele seja a glória, hoje e para todo sempre. Amém.

Sobre o texto, não consegui guardá-lo apenas para mim e se você quiser conhecer mais sobre o autor, visite o blog dele no link a seguir: http://pastorglalter.wordpress.com/author/glalter14/

Um comentário:

  1. Texto abençoado e abençoador.
    Temos que deixar o amor do Senhor nos inundar, para que possamos viver por Ele e para Ele.
    Que Deus continue abençoando sua vida!!!!
    Márcio Flávio

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