5 de novembro de 2015

CONFLITOS DE GERAÇÕES - CULTURA


Eventualmente leio algum comentário de artista cristão da década de 60/70/80 questionando o talento dos novos artistas cristãos.  Obviamente, que não citarei nomes, porque este não é o objetivo aqui, mas se eu fosse artista da atualidade, me sentiria ofendida e imersa num profundo sentimento de desamor por parte desses que se julgam melhores que os novos artistas. Me parece que estão sofrendo da Síndrome de Elias. Generalizam, condenando a todos e julgando-os como desprovidos de talento. 


É bem verdade que há muitas canções que estão totalmente desprovidas de Palavra e há muitas desprovidas de arranjos bem elaborados, mas não curto críticas desse tipo, que colocam todos no mesmo patamar.  Há que se distinguir, porém, sem ofensas gratuitas...

Do mesmo modo que agora existem músicas que são superficiais e sem muita beleza, antigamente tb existia. A prova disso é que naquele tempo, nem todos faziam sucesso, mas tinham sucesso aqueles que conseguiam se comunicar com o seu público. 

Sempre no Natal, o Roberto Carlos faz suas apresentações na Rede Globo. Antigamente eu assistia com meus pais, até que percebi que o repertório não mudava, e deixou de ser novidade. Porque jovem é assim... gosta do que é novo, mas parece que o Roberto também entendeu essa mudança cultural nas gerações e se adaptou. Não compôs nada parecido com o que é feito agora, mas consegue interagir com a nova geração, e os respeita sem julgamentos. Inclusão!


Me incomoda quando vejo artistas cristãos se julgando melhores do que os outros. Isso me cheira à arrogância e pretensão. Prefiro o caminho da humildade... eu não vejo por exemplo, os novos artistas super mega talentosos como Leonardo Gonçalves,  Daniela Araújo, Os Arrais, e diversos ministérios de louvor que tem surgido, etc... falando mal do artistas ou ministérios antigos, julgando-se melhores que os que vieram antes. O próprio Adhemar de Campos, recentemente, realizou um trabalho belíssimo com estes novos artistas. Se você conversar com alguém que viveu a 30 anos atrás, e que não consegue se adaptar à mudanças da atualidade, provavelmente ele irá responder conforme as experiências que vivenciou naquele tempo, não agora. E irá dizer: "no meu tempo..." é exatamente aí que está o "X" da questão! O tempo mudou. 

Creio que pra todos os novos artistas, todos esses artistas antigos foram e ainda são referência, mas o cenário histórico, cultural, e político mudou. As músicas antigas ainda falam aos corações, mas não detém a exclusividade disso. Se selecionarmos bem, seremos edificados. Há erros teológicos nas letras atuais? Sim. Também existiam antigamente, claro que em menor escala, mas existiam e posso citar exemplos bem conhecidos. Não vem ao caso...

Síndrome de Elias...
Deus falava por meio dos antigos profetas e apóstolos e continua falando por meio das gerações atuais. Qual é o padrão então? O padrão é a Bíblia, são os salmos, e a inspiração vem do Espírito Santo. 
Como eu posso julgar a sinceridade de alguém, só porque o que ele compõe não é tão complexo quanto o que eu faço? 
E quem disse que é pra ser complexo? É pra ser simples, e não confunda simplicidade com ser simplório...  
Vivemos um tempo onde os próprios irmãos, de nossas próprias igrejas são os primeiros a desvalorizar o nosso talento. Uns fazem isso criticando, ridicularizando, outros fazem isso omitindo-se ou desprezando. O fato é que todos estão preocupados com a qualidade da adoração do outro. E agora ouço a voz mansa e suave de Jesus dizendo: 

E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?

Vamos valorizar o que está de acordo com a Palavra. Vamos respeitar os novos artistas. 
Vamos abandonar a arrogância e a soberba espiritual. Vamos seguir em frente juntos. 

#desabafo #cultura #música #adoração #critica #gerações #conflito

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